O óbvio da aceitação. Não tão óbvio.

A vida nem sempre é fácil. Já falei isso várias vezes e todos sabem disso. Não é privilégio algum saber desse desastre, mas eu reconheço que é privilégio quando se aceita que a vida é difícil, porém com alternativas para vivê-la com facilidade. É normal nos preocuparmos com coisas que nem sempre são tão importantes assim. Vejo isso na minha família e na minha própria existência. Tentei por muito tempo não me importar com aquilo que eu achava que todos estavam se queixando ou reparando. Na verdade, o fato de eu me preocupar com que eu acheava e o que talvez achabvam já tornava o que não era importante em existente. É difícil sair desse vício de compromisso e aparência. Querendo ou nçao, sempre o que está em primeiro lugar é a aparência. Não somente física, mas a aparência das nossas ações, da nossa vida. Quando percebemos que estamos querendo mostrar como nossa vida é perfeita, notamos que a felicidade está no achar dos outros e não no nosso próprio desejo de crescimento e aceitação. É difícil. É complicado. Talvez doloroso. Eu só sei que demora. Demora e é viciante voltar para nosso próprio conto de preocupações, mas querendo conseguimos sair disso, vivemos de verdade.

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Nós

A vida é fácil quando se está amando. É possível rir de tudo e imaginar como é o mundo. As estações passam como se fizessem parte de nós dois. O verão bate em minha boca quando o seu lábio resolve cantar perto de mim. O inverno me abraça quando você vai embora, mas eu percebo que o aconchego vai chegar com a primavera quando eu te vir no caminho de casa. A esperança de te ter é mais forte do que a necessidade de eu me conter. Espero que esteja comigo quando o outono resolver repousar em meus olhos. Eu quero que voce me olhe e que diga que me ama. Quero que você se sinta como o mar, navegando e cortejando os meus cabelos até o dia em que eu afundar. Quero que me levante quando eu cair sem força para susssurar por ajuda. Sorrir quando se está amando é fácil, mas o que dói é quando abrimos demais nosso peito quando estamos acabados. Partir nem sempre é opção, mas está tudo bem quando precisamos ser livres conosco. Entre qualquer dúvida e por meio dos medos, quero que olhemos para o alto da colina imagindo o céu como uma aquerela que reflete nossas almas. Quero que me conte uma história sobre como morrer ao seu lado. Quero que me prometa ser o que é e que esteja ao meu lado quando eu cair em graça no momento em que a noite chegar. Junto a você eu estarei, mesmo que minha boca não abra para eu dizer que te amo, mesmo que minha mão fique presa na sua por dormência e que meus batimentos enfraqueçam pelos passos que demos. Quero que me olhe bem nos olhos e se veja em mim, assim eu saberei que eu te terei para o resto da minha vida e que verei se rosto no momento da minha morte.

Não mais tão raso

Diga-me algo, meu amor. Alguma coisa que seja nova para mim e para você. Às vezes eu penso que você poderia estar melhor, talvez andando por certos cantos sem mim. Apenas olhando para o sol se pondo e batendo o resto da luz nos seus olhos. Diga-me algo mesmo que com incerteza. Você tenta vivenciar coisas avulsas só para estar incluído? Eu sou assim em momentos, mas eu caio sempre e eu não quero te ver caindo. Nos momentos ruins eu corro, mas nunca ao seu lado.

Quebrando a atmosfera, tentamos voar para o além, mas está cedo para nos receberem. No vazio da noite, formamos fumaças na janela, moldando o que seria perfeito para nós dois e para o mundo. Na verdade, não estamos muito preocupados com o mundo, pois estamos nos afogando no nosso próprio meio. Nossos corpos dançam vorazes para o dia clarear e ser diferente, mas o raso não é tão raso quando estamos perdidos. Ter medo não é uma aternativa, mas serve como fuga quando estamos obcecados com o azar. Mas acho que o azar que nos falam é a sorte que não nos permitem.

Procuramos mudança, mas nos momentos bons não fazemos muito proveito. Eu estou no fim, no chão empoeirado, mas estou fora de perigo porque o raso agora é fundo e eu não me sufoco com as pedras brancas deitadas nele. Não vamos voar nem mesmo planar, mas estamos fora de alcance porque caminhamos juntos. Enrolados no mesmo manto de amor e necessidade, divagamos pelo campo enquanto o céu nublado tenta se abrir. Diga-me algo, amor. Alguma coisa que tenha a ver com a sua felicidade. Você precisa de mais? Eu sou o seu mais? Eu me encontro perdida, mas eu vejo que você me encontra iludida negando um mundo só nosso. Cansados estamos. É difícil manter tudo difícil, mas ao menos não estamos no fundo. Não mais.

Eu não sei

Eu simplesmente não sei o que fazer. Eu poderia escrever mil poemas e fazer mil declarações, mas minhas palavras apenas dançam no ar e agem como se eu não tivesse exposto alguma emoção sequer. Eu tento entender mais e pesquisar mais. Eu tento olhar com minha alma mais do que ja tenho feito, mas minha energia sai pelos furos que preenchem meu corpo e se alocam nos cantos da parede em que você está.

Você está nessa parede e eu, não. Eu não estou em lugar algum, na verdade. Acho que flutuo no céu nublado que faz parte do seu mundo, tentando arrastar as nuvens para o sol entrar. Eu tento, mas não consigo. As nuvens são pesadas e ameçam desabar o tempo inteiro. Às vezes isso acontece e eu tento segurá-las da melhor forma possível. Mas, eu canso. Eu canso e me recuso aceitar tal papel medíocre que estou realizando.

Me recuso ser fraca e me recuso deixar ser. Mas eu não sei o que fazer. Eu tento escalar seus muros, mas eu sei que é em vão. Eu sei que não tem sentido pintar a grama de rosa, porque ela vai crescer e virar verde de novo. Eu sei que não posso manter você no meu colo para sempre, porque você precisa andar. E eu também. Eu poderia fazer tudo o que você quer que eu faça e até o que não quer. Eu sei que eu posso fazer tudo o que você quer e tudo o que eu quero e o que eu não quero. Mas, eu não consigo sempre, pois às vezes minha água seca e eu fico com sede. Mas você é um deserto em momentos e o vento é tão áspero que me faz ficar no chão.

Eu me canso,  mas eu me canso de amor. Eu me canso de te amar e de estar disposta para tudo e para o que planejamos. Eu estou disposta a te por em minhas costas e te levar para o mundo. Eu estou disposta a te acolher na madrugada, a controlar o seu momento de euforia e a realizar monólogos. Eu estou disposta a retirar minha alma para te dar, porque eu sei que você vale meu ser. Mas, eu não sei se eu sou forte o suficiente para te ver cair e escolher não segurar em cordas. Eu não sei se sou forte em saber que você sabe nadar, mas prefere afundar. Eu não sei se sou forte para viver sem você, pois escolheu dormir ao invés de despertar. Eu só não sei e isso me dá medo.

Para os meus olhos claros

Eu sei que nem todos os princípios partem deles mesmos, pois nem todos os começos são como falam que são e se iniciam de onde estabalecem um início. Eu também sei que nem todo meio é um drama ou um clímax. Por fim, entendo que os finais felizes nem sempre são felizes. Mas não há problema.

Eu falo isso porque é difícil prever o que teremos. Você me pergunta se vamos nos amar da mesma forma, mas eu não sei o o que eu posso responder para tranquilizar o seu coração. Às vezes, pensamos em manter o que temos na intenção de preservar o que construímos ao longo do tempo. Às vezes, rimos do passado na intenção de gerar alegrias para o futuro. Às vezes, planejamos momentos a fim de carnalizar o que se passa agora. Isso é errado.

Desculpa, mas não posso provar ou afirmar algo. Nada. Não é minha culpa, também. De longe ser sua. De certo, minha vontade de te gritar algo lindo passa em minha cabeça todos os dias, mas nem sempre encontro palavras bonitas e suficientes. Talvez não haja harmonia no caos que vivemos. Isso não é errado.

Desculpa não ter palavra para descrever o futuro, eu apenas não sei. Não sei se vou te amar até morrermos, não sei se teremos paz, se iremos viajar o mundo, se iremos ter filhos, cachorro, um lugar no paraíso. Eu não sei e nem você. Isso é lindo. Sabe o motivo? Tudo na vida vida é baseado no acaso e nas vontades. Nem sempre pensamos em tudo e a vida te dá presentes diversos. Ela te dá sabedoria, ela te dá plenitude.

Às vezes, ela é árdua, mas temos que ver significado em tudo, e isso é lindo. Amor, não sei como nosso futuro será, mas prometo te dar todo o meu amor sempre que possível. Caso um dia acabe, quero que guarde as lembranças com carinho, com paixão. Até porque estamos crescendo juntos. Caso não acabe, quero que continue plantando no meu jardim e continue permitindo que eu escreva em suas linhas. Eu te amo no meu interior e no meu exterior. Obrigada por ser lindo do seu jeito. Seus olhos mostram sua alma, e ela é linda. Obrigada por mostrá-la.

Suicídio

A vida passa como se fosse a única presente em nós mesmos. A vida te carrega e te faz admirar correções previstas. As pessoas te cercam e acham que te dão carinho, mas elas estão perdidas no que acham que dão.

Sentir é um ponto fraco  da nossa existência. É questionar cada pedaço dos sentimentos que temos. As emoções se agrupam como se fossem necessárias, mas quando o vidro quebra, só resta areia.

Tentamos caminhar para frente, mas gritamos com o passado quando a dor diz “oi”. Achamos que superamos cada erro tomado, mas só blindamos nossos olhos para não sermos dersmascarados.

Alguns encaram a morte com medo e aflição. Mas talvez ela seja a única ponte para a perfeição, para a paz. Ficar sóbrio em um mundo viciado é difícil e eu sou fraca. Minhas roupas se acumulam na cadeira e minha pele cheira a ontem.

A água fica parada, mas os tecidos estão quentes. Enquanto o mundo dorme, há vida dentro das camas, nos chuveiros, nos penhascos e nas cordas. Há vida na morte e medo no viver.

Em busca de algo que não sei o que é

Procurar a felicidade é a coisa mais fácil do mundo. Abra os olhos para aquilo que almeja e prenda-se na corrente que te leva até ela. Parece ser fácil, mas não é. A rota curta nem sempre é a que te deixa no destino perfeito. É interessante analisar a capacidade que temos de nos limitar a fazer o que desejamos de mais natural e humano, pela mera necessidade de nos prendermos em um anzol dito como qualificado e promissor. Eu não entendo.

Talvez eu esteja sendo otimista demais acerca do que é a vida para aqueles que realmente buscam por ela. Buscam pelo seu real significado. Como dito por Renato Russo, nosso sangue é mais belo que o sangue amargo que corre nos corredores das grandes empresas e no status quo determinado pelas pessoas, pela graça de poderem se equilibrar em pensamentos questionáveis. Somos sujeitos a modelagens iguais, assim não saímos do padrão quando sentimos necessidade.

Reconhecemos, como lembrança dos nossos avós, que o dinheiro pertence aquele que se vende. Não compreendemos a diferença entre vender e viver, acredito. A natureza se posta em nossa frente como um Éden conhecido, mas esquecido. Esquecido de ser cheirado e sentido. Perdemos contato com os campos e luz solar. Queimamos na praia, mas não choramos com o vento que brinca em nossos cabelos. Mergulhamos no mar gelado, mas só para refrescar. A vida nada em nossos pés, mas somo superiores a ela. Somos seres conquistadores de ilusões e gratificações.

Falsos decretos de amor estampados nas redes sociais, enquanto que nossa vida social se cerca em muros e sangue. Somos gotas que caem do céu em um espinho cumprido, sendo espetadas e divididas. Somos areia em vidro, girando e pulando quando achamos que precisamos mudar o tempo. Ou quando achamos que podemos. Somos o carpete da sala que espera ser limpa, mas sempre ignorada ou apenas varrida em ocasiões importantes. Clamamos igualdade. Gritamos orgulho. Berramos ignorância e postamos defeitos. Inseguranças. Egoismo e descaso.

Qualificamos a vantagem em cima do outro e rimos quando os puros caem nos buracos. O problema é que hoje somos feitos de abismos. Os primeiros que caem nos puxam pelo punho. Quando vemos, estamos juntos em uma terra cheia de Caim e covas enfeitadas de falso puritanismo e mediocridades.