Cume

Tentei ignorar o que não se pode ignorar. Tetei segurar o que eu não deveria ter segurado. Minha força se molda como uma pedra de tanto receber chuva. Mas eu não consigo sair das enchentes que ameaçam surgir. Quieta, quando volto para casa, fico sozinha fingindo que gosto do gosto da solidão. Não acha que é saber demais sobre alguém quando o seu toque entrar em sua pele e gera calafrios? Me chama de amiga, mas me consome como se me odiasse. Presa numa gaiola, eu fico rodando no chão porque ele é duro e frio. Eu gosto do duro e o frio me ajuda a esfriar o que queima em meu corpo. Eu tentei deixar sair, mas eu não consigo se eu não for junto. Queria. Voltando para casa, eu tento assegurar que meu pensamento vai ficar só comigo, mas eu preciso fingir que gosto de me entregar. Eu tenho andado, apesar disso, no cume. Tenho visto pássaros negros, mas o oceano é tão azul que eu choro. Já pensei em cair nele para sentir a água batendo em meus pés e puxando o meu cabelo, mas minha insegurança foi forte. Criatura graciosa destruída por pensamentos fantasiosos. Não é justo. Você sabe me fazer chorar e quando eu olho para o oceano, la do cume, eu tenho medo porque nunca cai de tao alto para olhos azuis e fascinantes. Olho para isso ha um tempo. Era uma apreciação e apreensão. Hoje, vejo a chama que me empurra para algo injusto. Mas eu não consigo negar. Pensei em uma saída, mas ele nunca vai embora, então eu fico. Espero ficar distante disso algum dia, mesmo que doa e eu enlouqueça fazendo o que não devo mas acho que devo. Tento manter meus medos fora disso, mas preciso lutar com eles. Não é lindo? Ficar sozinha com vidros em volta intimando uma volta para casa que eu sei que não existe. Corro pelas vielas tentando achar um lugar seguro, algo para escapar, mas o cume me persegue e eu o persigo. Eu não consigo ficar em algum lugar próximo, então sinto que levanto cada vez mais para os ruídos causados pela minha própria cabeça. Não é lindo?

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Morrer dói

A morte é bem simples. Ela chega e te pega no colo como um filho querido que escapou das mãos dela quando nasceu. Ela te dá conforto e paz. Ela te traz paciência e compreensão. A morte pode ser lida de várias formas positivas, mas ela não pode ser tirada como uma amiga fácil. Quando alguém está morrendo, vemos que ela vem se aproximando de forma sutil, mas em certos momentos, o seu tom chega a ser ameaçador. Quando vemos alguém próximo morrendo, estamos nos aconstumando com a ideia de nunca mais o vermos. De nunca mais sentirmos o cheiro e de nunca mais levantarmos a voz quando estamos alterados por qualquer besteira. Quando sabemos que alguém está morrendo, começamos a pensar nas coisas que poderíamos ter feito e nas coisas que poderíamos ter evitado. Sei que quando estamos nesse barco, oscilando de um lado para o outro, imaginamos que fomos piores do que realmente fomos, ou até mesmo que fomos egocêntricos em certos pontos. Nos maltratamos e nos confortamos. Nos questionamos e nos perdoamos. Às vezes. Morrer soa como um castigo para quem fica. Morrer é uma ação impiedosa da natureza que ousa em tirar aquilo que é mais importante para nós. Morrer é voltar para onde estávamos desde o início, mas não tínhamos consciência. Morrer é viver, mas com os olhos fechados, enquanto sonhamos com o paraíso perfeito para nós. Quem fica vai sofrer, ou vai ignorar, ou vai sorrir, ou vai morrer. Quem fica vai sentir. Sentir dói. Sentir machuca e fere. Sentir renasce e refloresce aquilo que temos de melhor: o amor. A morte dói não porque termina, mas porque quem morre segue sem a gente. Quem morre está em paz enquanto estamos em guerra. Quem morre está olhando, enquanto estamos evitando olhar. Morrer é um passo de liberdade sem volta. Isso dói mais.

Eu

Eu já comecei vários textos falando de como eu me sentia. Muitas pessoas já me perguntaram se os textos que eu faço são voltados somente para as minhas emoções. Eu negava, mas a verdade é que todos os textos são parte do meu corpo, pelo menos do meu pensar. É engraçado reler, pois não parecem terem sido escritos por mim, tampouco parecem refletir o que eu penso ou como estou. A verdade é que eu sempre só estou. Sempre estou de alguma forma e isso me cria pesadelos às noites ou nos momentos íntimos e escuros no quarto. Eu comecei a achar que doses e conselhos mudariam algo. Adiantou, mas quando a minha vontade de seguir sozinha voltou, parece que algo ainda me puxa como vítima importante. Essa é uma questão que eu sempre quis levantar. Eu sou importante e necessária para alguém? Para alguma coisa? Quando a sensação de ficar presa na minha própria mente se voltou contra mim novamente, percebi que eu sou importante para manter meu próprio estado, e o pior: eu não sei como sair desse estado, apesar de gritar por normalidade. Ser normal deve ser algo esperado e, para alguns, uma coisa desnecessária e sem motivos certos para manter como ideal, mas eu só acho que ser normal tem a ver com o nosso próprio espírito. Eu estou tensa, eu estou triste, eu estou cansada. Sem motivo, posso afirmar, mas estou me sentindo assim porque eu só sinto. É frustrante só sentir e não ter uma ligação adequada e sensata para tal, mas eu sou culpada em sentir e não consigo deixar isso de lado. Muitos falam que isso é uma vantagem para quem escreve ou para aqueles que têm uma visão artística e mundial diferenciada, mas eu não sei ao certo o que isso quer dizer e o que isso significa para mim. Eu achava que essas pessoas deveriam ser livres de medos, mas eu me vejo sendo seguida pelos meus demônios. Vergonha e ansiedade batem no meu rosto sempre e eu não sei como negar o tapa. Eu não sei como agir comigo mesma e eu acho que essa é a pior parte de não ser normal como esperam. Eu to perdida na minha mente e no meu peito, mas eu fico parada porque parece o mais correto a se fazer sem prejudicar alguém e sem me prejudicar, apesar de eu entender que estou machucada há tempos. Eu posso fingir, mas eu sinto. Tem quem ache que fingir é pior, mas eu acho que fingir só fortalece um sentimento que eu gostaria de ter e não tenho. Se eu não tenho, posso ao menos fingir que sim, não?

O óbvio da aceitação. Não tão óbvio.

A vida nem sempre é fácil. Já falei isso várias vezes e todos sabem disso. Não é privilégio algum saber desse desastre, mas eu reconheço que é privilégio quando se aceita que a vida é difícil, porém com alternativas para vivê-la com facilidade. É normal nos preocuparmos com coisas que nem sempre são tão importantes assim. Vejo isso na minha família e na minha própria existência. Tentei por muito tempo não me importar com aquilo que eu achava que todos estavam se queixando ou reparando. Na verdade, o fato de eu me preocupar com que eu acheava e o que talvez achabvam já tornava o que não era importante em existente. É difícil sair desse vício de compromisso e aparência. Querendo ou nçao, sempre o que está em primeiro lugar é a aparência. Não somente física, mas a aparência das nossas ações, da nossa vida. Quando percebemos que estamos querendo mostrar como nossa vida é perfeita, notamos que a felicidade está no achar dos outros e não no nosso próprio desejo de crescimento e aceitação. É difícil. É complicado. Talvez doloroso. Eu só sei que demora. Demora e é viciante voltar para nosso próprio conto de preocupações, mas querendo conseguimos sair disso, vivemos de verdade.

Nós

A vida é fácil quando se está amando. É possível rir de tudo e imaginar como é o mundo. As estações passam como se fizessem parte de nós dois. O verão bate em minha boca quando o seu lábio resolve cantar perto de mim. O inverno me abraça quando você vai embora, mas eu percebo que o aconchego vai chegar com a primavera quando eu te vir no caminho de casa. A esperança de te ter é mais forte do que a necessidade de eu me conter. Espero que esteja comigo quando o outono resolver repousar em meus olhos. Eu quero que voce me olhe e que diga que me ama. Quero que você se sinta como o mar, navegando e cortejando os meus cabelos até o dia em que eu afundar. Quero que me levante quando eu cair sem força para susssurar por ajuda. Sorrir quando se está amando é fácil, mas o que dói é quando abrimos demais nosso peito quando estamos acabados. Partir nem sempre é opção, mas está tudo bem quando precisamos ser livres conosco. Entre qualquer dúvida e por meio dos medos, quero que olhemos para o alto da colina imaginando o céu como uma aquerela que reflete nossas almas. Quero que me conte uma história sobre como morrer ao seu lado. Quero que me prometa ser o que é e que esteja ao meu lado quando eu cair em graça no momento em que a noite chegar. Junto a você eu estarei, mesmo que minha boca não abra para eu dizer que te amo, mesmo que minha mão fique presa na sua por dormência e que meus batimentos enfraqueçam pelos passos que demos. Quero que me olhe bem nos olhos e se veja em mim, assim eu saberei que eu te terei para o resto da minha vida e que verei se rosto no momento da minha morte.

Não mais tão raso

Diga-me algo, meu amor. Alguma coisa que seja nova para mim e para você. Às vezes eu penso que você poderia estar melhor, talvez andando por certos cantos sem mim. Apenas olhando para o sol se pondo e batendo o resto da luz nos seus olhos. Diga-me algo mesmo que com incerteza. Você tenta vivenciar coisas avulsas só para estar incluído? Eu sou assim em momentos, mas eu caio sempre e eu não quero te ver caindo. Nos momentos ruins eu corro, mas nunca ao seu lado.

Quebrando a atmosfera, tentamos voar para o além, mas está cedo para nos receberem. No vazio da noite, formamos fumaças na janela, moldando o que seria perfeito para nós dois e para o mundo. Na verdade, não estamos muito preocupados com o mundo, pois estamos nos afogando no nosso próprio meio. Nossos corpos dançam vorazes para o dia clarear e ser diferente, mas o raso não é tão raso quando estamos perdidos. Ter medo não é uma aternativa, mas serve como fuga quando estamos obcecados com o azar. Mas acho que o azar que nos falam é a sorte que não nos permitem.

Procuramos mudança, mas nos momentos bons não fazemos muito proveito. Eu estou no fim, no chão empoeirado, mas estou fora de perigo porque o raso agora é fundo e eu não me sufoco com as pedras brancas deitadas nele. Não vamos voar nem mesmo planar, mas estamos fora de alcance porque caminhamos juntos. Enrolados no mesmo manto de amor e necessidade, divagamos pelo campo enquanto o céu nublado tenta se abrir. Diga-me algo, amor. Alguma coisa que tenha a ver com a sua felicidade. Você precisa de mais? Eu sou o seu mais? Eu me encontro perdida, mas eu vejo que você me encontra iludida negando um mundo só nosso. Cansados estamos. É difícil manter tudo difícil, mas ao menos não estamos no fundo. Não mais.

Eu não sei

Eu simplesmente não sei o que fazer. Eu poderia escrever mil poemas e fazer mil declarações, mas minhas palavras apenas dançam no ar e agem como se eu não tivesse exposto alguma emoção sequer. Eu tento entender mais e pesquisar mais. Eu tento olhar com minha alma mais do que ja tenho feito, mas minha energia sai pelos furos que preenchem meu corpo e se alocam nos cantos da parede em que você está.

Você está nessa parede e eu, não. Eu não estou em lugar algum, na verdade. Acho que flutuo no céu nublado que faz parte do seu mundo, tentando arrastar as nuvens para o sol entrar. Eu tento, mas não consigo. As nuvens são pesadas e ameçam desabar o tempo inteiro. Às vezes isso acontece e eu tento segurá-las da melhor forma possível. Mas, eu canso. Eu canso e me recuso aceitar tal papel medíocre que estou realizando.

Me recuso ser fraca e me recuso deixar ser. Mas eu não sei o que fazer. Eu tento escalar seus muros, mas eu sei que é em vão. Eu sei que não tem sentido pintar a grama de rosa, porque ela vai crescer e virar verde de novo. Eu sei que não posso manter você no meu colo para sempre, porque você precisa andar. E eu também. Eu poderia fazer tudo o que você quer que eu faça e até o que não quer. Eu sei que eu posso fazer tudo o que você quer e tudo o que eu quero e o que eu não quero. Mas, eu não consigo sempre, pois às vezes minha água seca e eu fico com sede. Mas você é um deserto em momentos e o vento é tão áspero que me faz ficar no chão.

Eu me canso,  mas eu me canso de amor. Eu me canso de te amar e de estar disposta para tudo e para o que planejamos. Eu estou disposta a te por em minhas costas e te levar para o mundo. Eu estou disposta a te acolher na madrugada, a controlar o seu momento de euforia e a realizar monólogos. Eu estou disposta a retirar minha alma para te dar, porque eu sei que você vale meu ser. Mas, eu não sei se eu sou forte o suficiente para te ver cair e escolher não segurar em cordas. Eu não sei se sou forte em saber que você sabe nadar, mas prefere afundar. Eu não sei se sou forte para viver sem você, pois escolheu dormir ao invés de despertar. Eu só não sei e isso me dá medo.